03.05.2018

panorama outono-inverno NA DONA COISA

A ideia deste post é fazer com que você venha ‘passear’ pela Dona Coisa, e ver de perto a nossa coleção desta temporada. E, quem sabe, assim, aumentar o seu desejo de nos visitar. Peças versáteis, que transcendem o conceito do tempo, das marcas de moda que mais admiro no Brasil, cada qual com suas peculiaridades, compõem este grande guarda-roupa que pretende atender aos mais diferentes estilos.

Marisa Ribeiro expressa seu talento através do tricô. O trabalho dela é primoroso há mais de 30 anos e tem qualidade indiscutível. Ela consegue também usar o cashmere em modelos bem modernos, descontraídos e com cores fortes. A gente não costuma achar casacos de cashmere com esse perfil, pois geralmente são peças clássicas e em tons sóbrios. Ela sabe nos surpreender!

A.Niemeyer tem uma característica bem moderna. É uma paulista com alma carioca, com suas calças de gancho baixo. Ela reiventou a casinha de abelha usada nos vestidos infantis e fez uma versão ‘adulta’. Adoro!

Verosenso é uma novidade na loja e, pela primeira vez, a gente investe em roupas de couro por serem de excelente qualidade. Acredito que nós temos que ter algumas poucas e importantes peças em couro no guarda-roupa. Uma bela jaqueta, por exemplo, além de aquecer desencareta o visual, dá uma quebrada num vestido de seda. Uso muito. Sem falar nas calças e vestidos impecáveis!

Madame K. está há muitos anos conosco. A Dona Coisa é o endereço certo para quem quer ter sandálias feitas à mão, confortáveis e totalmente atemporais. Elas duram uma vida porque são em pele de cobra e crocodilo. Verdadeiras joias feitas num ateliê de alta costura de sapatos.

Gloria Coelho! Minha admiração pelas suas roupas vem desde os anos 80, quando morei em São Paulo. Foi o primeiro nome que procurei ao abrir a Dona Coisa12 anos. É um sonho antigo ter Gloria Coelho na loja.

Rosa Tolentino faz bolsas muito especiais com pedrarias – pedras naturais e cristais – num trabalho absolutamente manual e de alta qualidade.  Cada peça sempre encanta pela beleza e harmonia do design. Um luxo!

Andrea Marques, querida das cariocas, se destaca por ter um trabalho super autoral com estampas exclusivas. Complementa muito bem o mix da loja.

Uma é outra paulista que acho bastante carioca, superdescontraída, moderna. Sabe muito bem rejuvenescer as mulheres.

Nº Dez, nossa marca, reforça a modernidade em modelagens amplas e nada convencionais. Vestidos, saias, calças e camisas, além da alfaiataria, personalizam com muito charme o dia a dia urbano.

Passe alguns momentos também no nosso café, DC Lá Em Cima, e saboreie nossas escolhas. Seja para um almoço light ou durante a tarde, para um café, um chá ou um espumante acompanhado de delícias que pesquiso até encontrar o que considero o melhor. Venha experimentar!

26.04.2018

aprazível

Falar do restaurante Aprazível para carioca pode parecer mesmice porque, nós, cariocas, conhecemos o Aprazível, apreciamos o Aprazível. Mas como tenho ido muito lá e considero a Ana Castilho uma amiga querida acabo ouvindo histórias muito gostosas, que aconteceram ao longo dos 21 anos que ela tem esse lugar encantador, no alto de Santa Teresa. São histórias de quem é apaixonada pelo seu negócio, assim como sou apaixonada pela Dona Coisa.

Ana comprou a casa, onde hoje é o restaurante, quando estava em Nova York, sem nunca ter visto, e assim que conheceu o lugar imaginou fazer nele um bosque. E ela fez este bosque em torno da casa-sede, que parece de fazenda. “Olha, que louca?”, diz com leve sotaque mineiro e ri de si mesma. Ela morou nesta casa quando os dois filhos, Pedro e João Hermeto, eram adolescentes. O terreno é grande, mas cheio de cantinhos intimistas. É um estar diferente, cheio de charme.

No começo, o Aprazível era só o endereço da chef mineira, mas os amigos eram tantos, fora os amigos dos amigos, e todos queriam tanto provar sua comida, que ela alugou mesas e cadeiras em um antiquário e colocou os filhos como garçons. De repente, tinha um restaurante. No primeiro jantar, 1997, pôs toalhas de linho de seu enxoval e talheres de prata.  A elegância mineira falou mais alto, mas logo ouviu de um amigo que não poderia continuar com esse preciosismo. Na cozinha não abriu mão de suas receitas primorosas que cozinhava no seu fogão de quatro bocas. Desde o começo, ela usa produtos nacionais da melhor qualidade, num cardápio cheio de sotaques e sabores inusitados.

Antes de ter o próprio restaurante, Ana trabalhou com José Hugo Celidônio, durante quatro anos, no famoso Gourmet, que ficava em Botafogo. Era chef da confeitaria e implantou sobremesas como gateau de chocolate e creme brûllé.  Foi uma revolução porque há 25 anos ninguém encontrava esses doces no Rio. Nada mal para quem fez curso de culinária em Nova York numa escola francesa. A palavra gastronomia ainda não tinha chegado por aqui.

Adoro chegar lá e pedir o palmito com molho de pesto, é maravilhoso e light, ainda por cima. Para quem não se incomoda de engordar um pouquinho, o pão de queijo com linguiça, bem mineiro, da terra da Ana, é bom demais, receita da sua avó.

As caipiroscas são um item à parte de tão sofisticadas. Tem até a versão de limão com café, além das que levam frutas da Amazônia como taperebá, cupuaçu e jambu.  Eu prefiro com vodca, tangerina com caju, mas quem aprecia cachaça é uma experiência que está associada à vida da Ana. Seu pai tinha um alambique, nos arredores de Belo Horizonte. Quando ele faleceu, ela herdou a fábrica. Hoje, a cachaça Santa Cana é uma edição limitadíssima que foi achada soterrada após mais de 30 anos em antigos barris de carvalho. Elas geraram 180 garrafas apenas, todas numeradas e que ela guarda como relíquia. “Não tem preço, é o preço do coração”, diz emocionada.

Para quem gosta de polvo, o de lá é irresistível e eu sempre peço, fora moquecas, cordeiro, pato, todos de dar água na boca. Mas Ana está completamente entusiasmada com suas “invenções” que vêm das plantas alimentícias não convencionais. Guacamole de açaí e Vieiras ao tucupi, são as especialidades que considera mais luxuosas.

É um programão ir ao Aprazível, com um grupo de amigos ou num jantar super-romântico com aquele visual panorâmico do Rio de Janeiro. Apesar do elevador, absolutamente necessário, faço questão de subir e descer a longa escada.

É sempre luxuoso estar num lugar tão lindo e, ao mesmo tempo, extremamente simples, despretensioso. Não conheço outro semelhante e muito menos igual! Sinto como se ela fizesse seu trabalho escrito à mão.

palmito com molho de pesto
palmito com molho de pesto
pão de queijo com linguiça
pão de queijo com linguiça
caipirosca de tangerina com caju
caipirosca de tangerina com caju
cachaça Santa Cana
cachaça Santa Cana
palmito com molho de pesto
pão de queijo com linguiça
caipirosca de tangerina com caju
cachaça Santa Cana

19.04.2018

jil SANDER

Minha amiga alemã leu a entrevista da Jil Sander, no jornal SZ, a propósito da primeira retrospectiva de sua carreira que está no Museum of Applied Art, de Frankfurt. Se lembrou de mim, pois sabe que sou fã dela e da marca. Ela acha que temos algumas coisas em comum, o que me deixa orgulhosa. Senti o desejo de partilhar com vocês o conteúdo tão sincero do texto.

“Jil Sander: Present Tense” fica em cartaz até 6 de maio de 2019. Muito moderna e dinâmica, aos 74 anos, ela foi a curadora da própria exposição junto com Matthias Wagner K., diretor do museu. A obra de uma das mais importantes estilistas contemporâneas, consagrada pela visão minimalista com forte influência da arquitetura e do design masculino, pode ser vista em instalações, roupas, acessórios e perfumes. Mas também em fotos belíssimas das campanhas de moda clicadas por Peter Lindbergh, Nick Knight, Craig McDean, David Sims e Irving Penn.  poderosos!

Iniciou a carreira como engenheira têxtil e editora de moda sempre fazia algumas modificações nas roupas. “Achava a moda um pouco antiquada e queria tirar os excessos usando tecidos andróginos. As modelagens femininas me pareciam problemáticas, pois deixavam as mulheres estereotipadas. A roupa deve acentuar, antes de tudo, a personalidade e a feminilidade. Aos 26 anos, disse para mim mesma: Eu posso fazer sozinha”.

A marca Jil Sander nasceu em 1969 e começou a desfilar em 1975, mas foi no começo da década de 90 que causou uma ‘revolução’ no mundo da moda. No auge do sucesso, em 1999, Jil Sander vendeu para a Prada 75% da marca que leva seu nome. Voltou por duas vezes para assinar o estilo, em 2003 e 2012, passagens rápidas. A experiência não deu certo e depois disso se afastou de vez por razões pessoais, segundo ela. “Muitas pessoas que vendem o seu negócio dizem que a gente nunca deve voltar, talvez eu estivesse me sentindo como uma mulher divorciada que sentia falta dos filhos. Mas posso dizer, hoje, que digeri tudo muito bem”.

Antes de ser editora de moda ficou um ano na Califórnia num programa de intercâmbio. “Sentia desejo de liberdade e essa viagem foi um divisor de águas em minha vida. O impulso que, há 50 anos, me levou a viajar foi o sonho de ser livre como um pássaro. Na Alemanha Ocidental, quando eu tinha 24 anos, a gente só conhecia o lado esportivo da Califórnia através de posters”.  Ela confessa que, de alguma forma, conseguiu traduzir essa beleza solar para a visão europeia. Não enfeitava a roupa, usava a presença física e fazia aparecer o corpo através de cortes modernos. Tentei desmistificar o corpo. Na verdade, o que me importava era a personalidade e a postura da modelo!”

Foi visionária ao se interessar pela nova cultura dos tênis, e já tinha começado a produzir os próprios tênis, que eram super sofisticados e elegantes, quando fez uma parceria com a Puma, “Quando foi lançado o primeiro modelo, em pelica, linha boxer, luxuoso, o sucesso foi tão grande que em Tóquio as consumidoras faziam filas enormes na frente da loja!”

Sobre sua vida pessoal, no catálogo da exposição, ela diz: “Para mim, o pensamento livre é muito mais importante do que classificar as pessoas em homens e mulheres. A liberdade consiste justamente em se libertar desses conceitos. Eu, como designer, sempre procurei colocar na roupa, em primeiro lugar, a personalidade da pessoa”.

Na exposição há um vídeo do maravilhoso jardim inglês de sua casa que surpreende pela beleza e história. “O jardim levou muito tempo para ser construído, mais de 30 anos. Eu o fiz junto com Dicky Mommsen. Tudo o que se vê no vídeo nós que plantamos. É uma obra de vida. O vídeo é um pouco espiritual e um pequeno ‘oi’ para Dicky Mommsen que não pôde estar presente para ver esta exposição”.

Ótimo sabermos que ainda temos tempo, quem sabe até 2019, de curtir de perto a exposição!

“JIL SANDER: PRESENT TENSE” EXHIBITION AT MUSEUM ANGEWANDTE KUNST IN FRANKFURT from BONAVERI on Vimeo.

Exposição no MUSEUM OF APPLIED ART, FRANKFURT
Exposição no MUSEUM OF APPLIED ART, FRANKFURT
Dicky Mommsen & Jil Sander
Dicky Mommsen & Jil Sander
Exposição no MUSEUM OF APPLIED ART, FRANKFURT
Dicky Mommsen & Jil Sander

12.04.2018

uma exposição MULTIFACETADA

Hoje a Dona Coisa está em festa! A exposição com obras de Patricia Secco e Ricado Hachiya ocupa o café, DC Lá Em Cima, e na loja fazemos o lançamento da coleção de praia de Teresa Freire, com estampas da própria Patricia. Adoro quando podemos reunir temas ricos em diversos segmentos.

Essa movimentação tem tudo a ver com a artista super dinâmica e muito querida por todos que ela é. Vocês conseguem imaginar uma pessoa que, mesmo morando fora do Brasil há muito tempo, conhece e se conecta com o Rio de Janeiro em peso? Ela é assim e condiz com sua personalidade partilhar com amigos e parceiros alguns projetos.

Com a amiga e sócia, a estilista Teresa Freire, ela assina as estampas de moda praia da coleção inspirada na sua obra Revoada. A série pós-praia é bem descontraída com vestidos e macacões bordados à mão. Tudo a ver com os dias ensolarados de abril e com a alegria da temática.

Não é a primeira vez que Patricia e Ricardo expõem juntos. Amigos há muito tempo, eles têm a afinidade típica dos grandes encontros de vida. Na Dona Coisa, ela expõe quadros, em aquarela, com motivos de borboletas e casulos, além de várias telas/pipas como a que está na entrada da loja, e que dá a sensação de pleno voo. A mini escultura, Vestido, de arame em tom cobre, interliga arte e moda. Ricardo mostra suas experiências na série Ferro, material tão pesado e que ele consegue trabalhar com simplicidade e leveza. O desenho das peças busca a simplicidade em formas abstratas.

Patricia e Ricardo também estão juntos, desde o dia 4, numa exposição no Centro Cultural Correios. Fico muito feliz que a extensão desse trabalho aconteça, simultaneamente, na nossa loja. E ainda por cima, hoje, teremos o som, ao vivo, de Leo Gandelman.

No momento, cada vez mais as parcerias fortalecem os projetos. A Dona Coisa partilha deste conceito desde o começo de sua trajetória. Afinal, moda e arte ou arte e moda se completam!

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