19.10.2017

museu BALENCIAGA

Contei no post da semana passada que na viagem que fiz, em setembro, pela região basca espanhola, realizei o desejo de conhecer o Guggenheim Bilbao. De quebra, na volta para San Sebastian, passei de carro por Getaria para conhecer o museu Balenciaga.

surpresa foi encontrar uma construção tão grandiosa numa cidadezinha tão pequena, uma vila de pescadores do século XIX. Foi lá que ele nasceu e este museu que leva seu nome é o primeiro do mundo dedicado exclusivamente à obra de um estilista.

O prédio é modernoimponente e superelegante. Foi inaugurado em 2011 e fica ao lado do Palácio Aldamar onde ele começou sua carreira como alfaiate.

acervo do museu foi doado por colecionadoras apaixonadas por seu trabalho, principalmente por Bunny Mellon – aristocrata americana – e Mona von Bismarck – socialite americana que morou muitos anos em Paris. As peças são artisticamente colocadas em espaços que valorizam os detalhes de cada uma. E iluminadas de maneira que podemos perceber não só as modelagens arrojadas e esculturais como os tecidos e as estampas preciosas.  As manequins reproduzem os corpos para os quais as roupas foram feitas. É projetado um filme, bastante didático, que narra sua trajetória, pois Critóbal não era lá muito dado a entrevistas.

Existem roupas para casamento, noite, coquetel, dia a dia, de tudo um pouco. Lá estão também os vestidos desenhados para Grace Kelly quando era princesa de Mônaco, e também o vestido de noiva da rainha Fabíola, da Bélgica. Amei a beleza e o profissionalismo da Fundação Balenciaga para nos oferecer a importância do trabalho do estilista.

Elegantíssimo, o estilo de Balenciaga tem uma sensualidade que eu adoraria que estivesse presente até hoje na preferência das mulheres. É uma roupa que, sem estar grudada ao corpo mostra o que a mulher tem de melhor, o que a valoriza. Ele sabia dar espaço ao mistério feminino. A sensualidade está aliada à elegância, tudo muito chique!

Foi um banho de cultura de maneira light e prazerosa. Através das roupas e dos desenhos acompanhei a trajetória deste genial estilista espanhol. Poder interagir com as obras de um museu contemporâneo, onde as informações são revestidas de conforto e tecnologia, é uma das grandes conquistas da modernidade!

Fotos Paco Lucas

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CURIOSIDADES

Cristóbal Balenciaga (1895-1972) é conhecido como o arquiteto da moda. Filho de um pescador e de uma costureira, ele acompanhava o trabalho de sua mãe, em Getaria, como aprendiz de alfaiate. Aos 12 anos, uma marquesa percebeu que o garoto tinha jeito para a costura e o enviou para Madri para se profissionalizar.

Ele trabalhou como alfaiate em Getaria e em algumas lojas importantes de San Sebastian. E dizia: “Um bom estilista tem que ser um arquiteto nas formas, um pintor nas cores, um músico na harmonia das linhas e um filósofo nos tamanhos das roupas”.

Em 1919, aos 24 anos, abriu uma butique em San Sebastian. As famílias reais espanholas, assim como a aristocracia, se tornaram suas clientes.

Paris projetou seu nome mundialmente, onde começou a trabalhar em 1936.

Coco Chanel, Hubert de Givenchy e Christian Dior eram seus grandes admiradores. Este o chamou de “mestre de todos nós”.

Não foi fácil fazer um levantamento de sua obra porque o estilista nunca escreveu uma biografia e não cortejava a imprensa, que ignorou nos primeiros dez anos de sua carreira em Paris. 

A Fundação Cristóbal Balenciaga reuniu 1200 peças.

Diana Vreeland foi a primeira a escolher Balenciaga para uma grande retrospectiva no MET, em Nova York, em 1973.

12.10.2017

êxtase em BILBAO

Sempre desejei conhecer o Guggenheim Bilbao. E, em setembro passado, quando surgiu a oportunidade de fazer uma viagem de carro por alguns lugares da Espanha, fiz questão de incluir a cidade basca no roteiro.

Fora o que todos sabem, que o museu é um projeto de Frank Gehry, que a inspiração de sua obra está ligada aos peixes, que ele observava na banheira de sua casa quando criança, foi impactante constatar que as formas do prédio e as texturas lembram escamas que acentuam ainda mais a grandiosidade da obra. Hoje há controvérsias se os arquitetos que constroem esses monumentos contemporâneos são ou não artistas. Prefiro me abster dessa discussão e me concentrar no prazer enorme de ter conhecido o Guggenheim Bilbao.

Com suas assimetrias e ângulos inimagináveis, a estrutura interna não prejudica as exposições, pelo contrário, destaca ainda mais a beleza de cada uma. E, para mim, também foi surpreendente ver a obra do vídeo artista norte-americano Bill Viola, que estava em cartaz desde 6 de junho e fica até 9 de novembro. A retrospectiva temática e em ordem cronológica expõe a potência de sua obra na maior parte do museu.

Ao entrar em contato com seu trabalho percebi que tinha alguns pré-conceitos em relação à arte, e vários foram desfeitos como poeira quando vi o que ele faz. Intimamente, não imaginava que pudesse ser tão grandiosa uma obra de vídeo. Ele abriu minha percepção porque, antes de tudo, o que faz é verdadeiramente lindo, e fora isso é comovente, porque transmite emoções muito diferentes. Acredito que assisti uns 30 vídeos, e em algumas instalações são projetados filmes em plataformas de mais ou menos seis metros de altura. É tudo tão inovador que, por um momento, sonhei em ter uma instalação dele em minha casa para me transportar para outro lugar!

Uma colecionadora de arte de Nova York tem uma obra de Bill Viola em seu quarto. De repente, as árvores se movimentam e mudam de cores e formas como as mudanças das estações do ano. Naquelas três ou quatro horas que passei no museu seu trabalho acrescentou algo em mim.

Tudo no Guggenheim Bilbao é muito bom, confortável e bem sinalizado A loja é muito competente, com excelente curadoria. Quando estava lá começou a chover e o carro estava muito longe. Acabei comprando uma capa de chuva super charmosa, com design lindo, vermelha com bolinhas brancas. Não resisti ao catálogo do Bill Viola, e encontramos também esculturas, roupas, objetos, livros… A gente sai muito feliz desse museu, tão moderno, com espaços amplos e luminosos, e sem aquelas filas dos museus tradicionais. Não vi muitas crianças, mas pessoas de todas as idades, sobretudo da própria Europa.

Num pátio imenso entrei em contato com a obra de Richard Serra, que amo, e que só tinha visto no museu Dia Beacon, próximo a Nova York. Andar pela parte interna das suas esculturas é emocionante. É algo misterioso porque ele desafia a lei da gravidade, e contrapõe o peso do ferro com a leveza das formas, característica de sua arte.

Na frente do museu uma escultura de Louise Bourgeois dá as boas-vindas. Não poderia ser melhor!

Fotos: Paco Lucas e reproduções

05.10.2017

um domingo CARIOCA

Geralmente, nos finais de semana, quando estou no Rio, costumo pedalar com Paco em passeios mais longos, às vezes até o Cristo. Subimos a Vista Chinesa, passamos pela Mesa do Imperador, Alto da Boa Vista, Paineiras… Além de ser um programa delicioso, saudável, faz bem à alma.

No domingo passado, trocamos a montanha, que nós dois amamos tanto, pela praia, e fomos até Grumari. Uma opção para aproveitar o dia lindo de sol, com a temperatura super agradável. Mudamos o roteiro não por desejo nosso, mas por causa do cenário de violência da Rocinha, nas duas últimas semanas. Nosso desejo era sair de casa, no Jardim Botânico, já pedalando, mas achamos perigoso. Ainda pensamos em deixar o carro em São Conrado, mas lembramos do túnel, que fica próximo à Rocinha, e preferimos deixá-lo no início da Barra. Embora o túnel tenha uma ciclovia nova não quisemos arriscar. A gente sabe que dentro dos túneis costumam roubar bicicletas.

As escolhas que fazemos, hoje, na nossa cidade são movidas por precaução e medo antes de tudo. Em função da insegurança criamos alternativas de lazer. A parte da ciclovia que caiu no ano passado continua interditada, sem nenhuma placa indicando perigo e sem nenhuma corrente de proteção. Colocaram pedras enormes, mas mesmo assim vimos pessoas passando por cima delas.

No início da Barra fomos pedalando até Grumari, em torno de 50 quilômetros entre ida e volta. Tivemos a sorte de ver uma prova de triatlo. Desde a Barra da Tijuca até o final do Recreio a pista de asfalto estava fechada para carros e totalmente livre para nós. Acabou sendo um programa raro, um pedal maravilhoso, seguro, podendo curtir a beleza daquela área do nosso Rio de Janeiro.

Em Grumari tive vontade de fazer pipi e há um banheiro, muito bem cuidado, no estacionamento de carros.  Quando cheguei perto tinha uma senhorinha com muita idade, sentadinha ao lado de uma placa: Banheiro, R$ 3. Quando saí disse a ela: Desculpe, não achei a válvula do vaso sanitário. ‘Não se preocupe, minha filha, é assim mesmo, eu jogo a água com o balde, respondeu. Isso mexeu muito comigo, pois está evidente a realidade que vivemos, ao nos deparar com a violência, com o descaso com a população.

Na volta do pedal e de encontro aos meus pensamentos, lembrei de uma viagem recente que fiz à Croácia, terra que foi devastada com guerras até 12 anos atrás, e que hoje está totalmente preparada para o turismo. Os banheiros públicos são impecáveis, com espelhos enormes, sabonete… e nos portos, os chuveiros me chamaram a atenção. Muitas vezes, melhores do que os de muitos barcos. Lá também a natureza é estonteante, mas as autoridades sabem a importância do turismo nos mínimos detalhes e reconstruíram tudo. E nosso país, tão rico, belo e grandioso vive um descaso generalizado. Fica aqui o meu lamento. Acho que nos resta tomar consciência e, de alguma forma, participar de uma possível melhora da nossa cidade, do nosso país, pensando nos nossos filhos.

Agora já sei, da próxima vez que for a Grumari vou levar um biquíni e dar um mergulho!!!

28.09.2017

equipe, o jeito DONA COISA DE SER

Quando me ocorreu o desejo de falar a respeito da minha equipe, a imagem que veio à minha cabeça foi exatamente a de um filme antigo de nado sincronizado. É assim vejo minha equipe hoje.

O fato de ter começado minha carreira profissional na moda, há 12 anos, sem experiência anterior de como funcionava o varejo, nos trouxe um perfil peculiar. Formei a equipe baseada na minha intuição e adquirimos maneiras particulares de lidar com as clientes.

A loja começou muito pequena e foi crescendo rapidamente. Sempre tive uma pessoa conhecida que me recomendava alguém. Minha seleção começa a partir da conversa. O que me encanta é sentir que estou diante de alguém que tem paixão pela Dona Coisa. Isso já é meio caminho andado para a contratação. Em todas as reuniões coloco sempre a importância do ‘jeito Dona Coisa de ser’. É o nosso patrimônio e, muitas vezes, acabo repetindo os mesmos conceitos durante todos esses anos.

Para mim, a gentileza é fundamental no tratamento para com clientes, fornecedores e colegas de trabalho. Não se trata de subserviência, e, olha, que já vivemos algumas situações delicadas. Quando chega alguém que aparentemente está ‘equivocada’, esta pessoa merece mais atenção ainda de nossa parte. É como quando procuramos um profissional de outras áreas, seja médico, advogado… adoraria que as clientes nos vissem com o profissionalismo que pode ajudá-las da melhor maneira possível na questão estética.

Quanto maior for a necessidade de uma pessoa, mais cuidado temos no nosso atendimento para que ela se sinta à vontade e confiante. A equipe acentua com naturalidade o ambiente caseiro da loja, o que acaba aproximando as pessoas. Acredito demais na cordialidade e com isso, minha equipe e eu acabamos fazendo grandes amizades com as pessoas ao nosso redor, sejam fornecedores, clientes…

Percebo que a equipe sente uma verdadeira paixão pela loja, e as próprias clientes comentam. Isso acaba reverberando no trabalho, em todos os sentidos. Tenho que frisar também a fidelidade de nossas clientes, pois a maioria está conosco desde o início da loja.

O mundo, hoje, estimula as pessoas para o padronizado, e o visual diversificado da equipe é natural e respeita cada personalidade. Acredito que nós todos funcionamos muito melhor quando nos sentimos seguros, coerentes com nossas peles e roupas. É claro que existe um padrão estético, e quando, por acaso, não gosto de algum detalhe não deixo de falar. Mas é raro acontecer. Gosto que cada um se expresse através das roupas e atitudes, porque quando isso é autêntico o resultado é sempre bacana.

Há uma história clássica na loja, a de quando fui contratar uma vendedora e a recusei. Durante a entrevista, ela falava um tanto demais e um pouco alto, me dava tapinhas no braço, enfim, pensei: de jeito nenhum quero esta pessoa na minha equipe. Ela era considerada uma super profissional no mercado. Seis meses depois precisei de alguém novamente. E ela, que queria muito fazer parte da equipe da loja, se candidatou para outra entrevista. Certamente, a ex-gerente comentou minha impressão a seu respeito. Para minha grata surpresa surgiu uma lady na minha frente. Acho que gostou do que ouviu e preferiu adotar outro estilo, e hoje é muito querida e importante para a loja. Tem o nosso DNA e uma personalidade marcante.

Prezo muito o respeito dentro da loja e, por isso, prefiro que as questões pessoais sejam tratadas fora de nossa casa. O atendimento às nossas clientes não discrimina ninguém. É pessoal, afetivo e muito importante.

Hoje a equipe é grande, contando a Dona Coisa e o café DC Lá Em Cima. Administrar egos é um exercício diário. De vez em quando preciso chamar alguém na minha sala para conversar. E digo: Vem cá, mamãe quer falar!!!

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