19.04.2018

jil SANDER

Minha amiga alemã leu a entrevista da Jil Sander, no jornal SZ, a propósito da primeira retrospectiva de sua carreira que está no Museum of Applied Art, de Frankfurt. Se lembrou de mim, pois sabe que sou fã dela e da marca. Ela acha que temos algumas coisas em comum, o que me deixa orgulhosa. Senti o desejo de partilhar com vocês o conteúdo tão sincero do texto.

“Jil Sander: Present Tense” fica em cartaz até 6 de maio de 2019. Muito moderna e dinâmica, aos 74 anos, ela foi a curadora da própria exposição junto com Matthias Wagner K., diretor do museu. A obra de uma das mais importantes estilistas contemporâneas, consagrada pela visão minimalista com forte influência da arquitetura e do design masculino, pode ser vista em instalações, roupas, acessórios e perfumes. Mas também em fotos belíssimas das campanhas de moda clicadas por Peter Lindbergh, Nick Knight, Craig McDean, David Sims e Irving Penn.  poderosos!

Iniciou a carreira como engenheira têxtil e editora de moda sempre fazia algumas modificações nas roupas. “Achava a moda um pouco antiquada e queria tirar os excessos usando tecidos andróginos. As modelagens femininas me pareciam problemáticas, pois deixavam as mulheres estereotipadas. A roupa deve acentuar, antes de tudo, a personalidade e a feminilidade. Aos 26 anos, disse para mim mesma: Eu posso fazer sozinha”.

A marca Jil Sander nasceu em 1969 e começou a desfilar em 1975, mas foi no começo da década de 90 que causou uma ‘revolução’ no mundo da moda. No auge do sucesso, em 1999, Jil Sander vendeu para a Prada 75% da marca que leva seu nome. Voltou por duas vezes para assinar o estilo, em 2003 e 2012, passagens rápidas. A experiência não deu certo e depois disso se afastou de vez por razões pessoais, segundo ela. “Muitas pessoas que vendem o seu negócio dizem que a gente nunca deve voltar, talvez eu estivesse me sentindo como uma mulher divorciada que sentia falta dos filhos. Mas posso dizer, hoje, que digeri tudo muito bem”.

Antes de ser editora de moda ficou um ano na Califórnia num programa de intercâmbio. “Sentia desejo de liberdade e essa viagem foi um divisor de águas em minha vida. O impulso que, há 50 anos, me levou a viajar foi o sonho de ser livre como um pássaro. Na Alemanha Ocidental, quando eu tinha 24 anos, a gente só conhecia o lado esportivo da Califórnia através de posters”.  Ela confessa que, de alguma forma, conseguiu traduzir essa beleza solar para a visão europeia. Não enfeitava a roupa, usava a presença física e fazia aparecer o corpo através de cortes modernos. Tentei desmistificar o corpo. Na verdade, o que me importava era a personalidade e a postura da modelo!”

Foi visionária ao se interessar pela nova cultura dos tênis, e já tinha começado a produzir os próprios tênis, que eram super sofisticados e elegantes, quando fez uma parceria com a Puma, “Quando foi lançado o primeiro modelo, em pelica, linha boxer, luxuoso, o sucesso foi tão grande que em Tóquio as consumidoras faziam filas enormes na frente da loja!”

Sobre sua vida pessoal, no catálogo da exposição, ela diz: “Para mim, o pensamento livre é muito mais importante do que classificar as pessoas em homens e mulheres. A liberdade consiste justamente em se libertar desses conceitos. Eu, como designer, sempre procurei colocar na roupa, em primeiro lugar, a personalidade da pessoa”.

Na exposição há um vídeo do maravilhoso jardim inglês de sua casa que surpreende pela beleza e história. “O jardim levou muito tempo para ser construído, mais de 30 anos. Eu o fiz junto com Dicky Mommsen. Tudo o que se vê no vídeo nós que plantamos. É uma obra de vida. O vídeo é um pouco espiritual e um pequeno ‘oi’ para Dicky Mommsen que não pôde estar presente para ver esta exposição”.

Ótimo sabermos que ainda temos tempo, quem sabe até 2019, de curtir de perto a exposição!

“JIL SANDER: PRESENT TENSE” EXHIBITION AT MUSEUM ANGEWANDTE KUNST IN FRANKFURT from BONAVERI on Vimeo.

Exposição no MUSEUM OF APPLIED ART, FRANKFURT
Exposição no MUSEUM OF APPLIED ART, FRANKFURT
Dicky Mommsen & Jil Sander
Dicky Mommsen & Jil Sander
Exposição no MUSEUM OF APPLIED ART, FRANKFURT
Dicky Mommsen & Jil Sander

12.04.2018

uma exposição MULTIFACETADA

Hoje a Dona Coisa está em festa! A exposição com obras de Patricia Secco e Ricado Hachiya ocupa o café, DC Lá Em Cima, e na loja fazemos o lançamento da coleção de praia de Teresa Freire, com estampas da própria Patricia. Adoro quando podemos reunir temas ricos em diversos segmentos.

Essa movimentação tem tudo a ver com a artista super dinâmica e muito querida por todos que ela é. Vocês conseguem imaginar uma pessoa que, mesmo morando fora do Brasil há muito tempo, conhece e se conecta com o Rio de Janeiro em peso? Ela é assim e condiz com sua personalidade partilhar com amigos e parceiros alguns projetos.

Com a amiga e sócia, a estilista Teresa Freire, ela assina as estampas de moda praia da coleção inspirada na sua obra Revoada. A série pós-praia é bem descontraída com vestidos e macacões bordados à mão. Tudo a ver com os dias ensolarados de abril e com a alegria da temática.

Não é a primeira vez que Patricia e Ricardo expõem juntos. Amigos há muito tempo, eles têm a afinidade típica dos grandes encontros de vida. Na Dona Coisa, ela expõe quadros, em aquarela, com motivos de borboletas e casulos, além de várias telas/pipas como a que está na entrada da loja, e que dá a sensação de pleno voo. A mini escultura, Vestido, de arame em tom cobre, interliga arte e moda. Ricardo mostra suas experiências na série Ferro, material tão pesado e que ele consegue trabalhar com simplicidade e leveza. O desenho das peças busca a simplicidade em formas abstratas.

Patricia e Ricardo também estão juntos, desde o dia 4, numa exposição no Centro Cultural Correios. Fico muito feliz que a extensão desse trabalho aconteça, simultaneamente, na nossa loja. E ainda por cima, hoje, teremos o som, ao vivo, de Leo Gandelman.

No momento, cada vez mais as parcerias fortalecem os projetos. A Dona Coisa partilha deste conceito desde o começo de sua trajetória. Afinal, moda e arte ou arte e moda se completam!

05.04.2018

ricardo HACHIYA

Há algumas semanas marquei uma reunião na Dona Coisa com a Patricia Secco. Ela fará uma exposição na loja no próximo dia 12, junto com seu grande amigo, o arquiteto e artista plástico Ricardo Hachiya, e descobriu que ele me conhece desde 1995. Na reunião seguinte, ele veio também e trouxe um presente que me deixou completamente emocionada. Ele foi um dos artistas que participaram do evento Consciência, que organizei naquela época.

Eu tinha o brechó chamado Demodê, na Barra, e pensei em arrecadar dinheiro para ajudar a instituição filantrópica, Casa Maria Magdala, em Niterói, que cuida até hoje de pacientes adultos e crianças soropositivos do HIV. Estava engajada com a causa da Aids, e como sempre tive amigos artistas, que frequentavam minha loja, pedi um apoio a eles. Seis doaram suas obras: Analú Prestes, Claudio Faciolli, Guilherme Secchin, Leo Caraffa, Marcus di Andrade e Ricardo Hachiya. Fizemos rifas desses trabalhos.

A ideia era que as pessoas tomassem consciência que a doença poderia acontecer com qualquer um por alguma razão. Não importava a razão, o fato é que estava matando muita gente jovem e havia muita discriminação com os doentes. O evento teve uma repercussão muito bonita e conseguimos colaborar para a compra de uma ambulância.

Isso passou, minha vida mudou muito, morei em São Paulo por três anos, voltei ao Rio, tantas coisas aconteceram, abri a Dona Coisa… e agora, 23 anos depois, reencontro o querido amigo Ricardo Hachiya. Ele chegou na reunião e disse: “Trouxe um presente para você”. Quase desmaiei quando vi a pastinha. Não acreditei. Na ocasião mandei para cada artista uma pastinha com o clipping do evento, o convite, o release e tinha um bilhetinho para cada um. Ele guardou todo material e fiquei impressionada porque não me lembrava da repercussão. Adorei reler a nota de Danuza, no Jornal do Brasil, porque adoro a Danuza.

Nem sei como explicar a atitude e o carinho de alguém que recebeu essa lembrança há 23 anos e guardou esse tempo todo. Sua mulher, Lu, mandou uma foto minha com ela, daquela época. Foi muita emoção para uma tarde só. Ter feito esse evento mexeu profundamente comigo e lavou minha alma. Me deixou melhor. Vale à pena dizer que todas as pessoas envolvidas trabalharam de graça: assessoria de imprensa, gráfica, produção, vídeo, músicos do grupo Conversa de Cordas, texto de Maria Eduarda Marques. Vendemos muitas rifas, tivemos sucesso e pudemos fazer uma ajuda significativa para a instituição.

Com a pastinha na mão vieram tantas lembranças … Relendo o bilhete que escrevi para o Ricardo percebi o quanto é importante para mim a comunicação ‘feita à mão’, mesmo diante de tanta tecnologia.  Ao visualizar o papel a gente potencializa as emoções e a mensagem que quer passar. Dou muito valor à essa forma de comunicação.  Sempre falo que sou um tanto analógica e gosto do que é escrito a lápis, até mais do que com caneta. O primeiro brinde que fiz para a Dona Coisa foi um bloco com folhas vermelhas acompanhado de um lápis. Defendo a escrita a lápis, textos escritos em português, então esse toque um tanto vintage veio junto com a elegância de alma de Ricardo Hachiya.

29.03.2018

salto BAIXO

Além de achar cada vez mais bonito o salto baixo, ele ganha opções ainda mais sofisticadas a cada temporada. Eu sempre usei. Agora ficou mais fácil para as mulheres entenderem que podem estar elegantes e lindas sem salto alto. No dia que elas assimilarem isso, completamente, vão se libertar ainda mais.

Nada contra o salto alto, sempre achei muito bonito, mas não sei andar com ele. Antes de mais nada, o salto baixo, para mim, é uma necessidade. Quem, como eu, não sabe andar de salto alto ficará mais elegante de salto baixo, sem ter que se equilibrar e sem passar insegurança. Sou alta, embora seja a ‘baixinha’ da família, pois tenho 1,74 metro e minha mãe 1,81 metro.

Sempre fui muito ligada à moda e o tripé que fundamenta a Dona Coisa é o conforto, a qualidade e a atemporalidade. Conforto está diretamente ligado ao salto baixo. A partir do momento que tenho uma loja procuro passar, para as minhas clientes, uma imagem compatível com o que acredito. Na Dona Coisa a gente pretende fazer um trabalho para tirar as dúvidas de cada cliente, como se ela fosse a um ‘especialista em moda’.

Através da loja tive oportunidade de comprovar que no mercado brasileiro existem muitas opções de salto baixo, que podem compor qualquer roupa. São produtos excelentes, elegantes e luxuosos. Isso me ajudou, pois quanto mais a gente convive com determinado setor mais aprende. Alaïa sempre defendeu saltos altíssimos, roupas muito coladas ao corpo, tudo o que eu não uso. No entanto, sempre amei o Alaïa, e as poucas sandálias baixas que ele fez são lindas e usei até em casamentos. Inclusive, já fui a casamento de tênis de seda pura!

Adolescente, cheguei a usar salto alto, mas na época era moda usar jeans com escarpim e comprei dois pares, um verde e outro vermelho, numa loja que forrava os sapatos com tecidos. Gostava de usar trocado, um pé com o verde e o outro com o vermelho. Sempre me atraí por irreverências. Não me lembro se andava de maneira tão feia e desequilibrada quanto ando hoje, pois agora só usaria para brincar, para rir de mim mesma. Não uso em nenhuma ocasião. No meu armário só tem sapatos baixos, sobretudo sandálias. As Havaianas com pedrinhas de Svarovski são meu uniforme. Vou da ginástica à praia, além de eventos.  Recebo muito em casa e sempre estou com as minhas Havaianas e com um vestido longo de seda.

Hoje, mais do que ontem e menos do que amanhã, as mulheres usam salto baixo para ocasiões formais e ficam muito lindas. Algumas com estatura mais baixa recorrem ao salto alto. Com este pré-conceito, elas perdem grandes oportunidades de se vestirem de uma forma mais moderna, mais bonita, sem sentir insegurança. Da mesma maneira é preciso desmistificar que mulheres baixas não podem usar roupas amplas. Isso não é uma regra porque depende muito mais da personalidade do que da estatura.

A gente procura ter na Dona Coisa opções de salto baixo com modelos luxuosos, tanto para o dia a dia quanto para ir às festas. As marcas Andrea Muller, Paula Ferber e Nuu estão de olho nesse novo comportamento feminino, e até escarpim de salto baixo é uma das propostas desta estação. Andrea explora o design sofisticado e geométrico com materiais nobres. Paula faz um trabalho bacana e muito refinado com texturas animais e a Nuu visa o público super jovem.

O salto baixo vem ao encontro da dinâmica atual. Gosto da imagem das mulheres de Manhattan, chiquérrimas, andando apressadas em saltos baixos ou tênis pela Quinta Avenida, Madison… com seus escarpins altíssimos em suas bolsas.

O que era uma questão de conforto se transformou, hoje, numa questão de estilo, que pode proporcionar elegância e muito prazer!

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