05.04.2018

ricardo HACHIYA

Há algumas semanas marquei uma reunião na Dona Coisa com a Patricia Secco. Ela fará uma exposição na loja no próximo dia 12, junto com seu grande amigo, o arquiteto e artista plástico Ricardo Hachiya, e descobriu que ele me conhece desde 1995. Na reunião seguinte, ele veio também e trouxe um presente que me deixou completamente emocionada. Ele foi um dos artistas que participaram do evento Consciência, que organizei naquela época.

Eu tinha o brechó chamado Demodê, na Barra, e pensei em arrecadar dinheiro para ajudar a instituição filantrópica, Casa Maria Magdala, em Niterói, que cuida até hoje de pacientes adultos e crianças soropositivos do HIV. Estava engajada com a causa da Aids, e como sempre tive amigos artistas, que frequentavam minha loja, pedi um apoio a eles. Seis doaram suas obras: Analú Prestes, Claudio Faciolli, Guilherme Secchin, Leo Caraffa, Marcus di Andrade e Ricardo Hachiya. Fizemos rifas desses trabalhos.

A ideia era que as pessoas tomassem consciência que a doença poderia acontecer com qualquer um por alguma razão. Não importava a razão, o fato é que estava matando muita gente jovem e havia muita discriminação com os doentes. O evento teve uma repercussão muito bonita e conseguimos colaborar para a compra de uma ambulância.

Isso passou, minha vida mudou muito, morei em São Paulo por três anos, voltei ao Rio, tantas coisas aconteceram, abri a Dona Coisa… e agora, 23 anos depois, reencontro o querido amigo Ricardo Hachiya. Ele chegou na reunião e disse: “Trouxe um presente para você”. Quase desmaiei quando vi a pastinha. Não acreditei. Na ocasião mandei para cada artista uma pastinha com o clipping do evento, o convite, o release e tinha um bilhetinho para cada um. Ele guardou todo material e fiquei impressionada porque não me lembrava da repercussão. Adorei reler a nota de Danuza, no Jornal do Brasil, porque adoro a Danuza.

Nem sei como explicar a atitude e o carinho de alguém que recebeu essa lembrança há 23 anos e guardou esse tempo todo. Sua mulher, Lu, mandou uma foto minha com ela, daquela época. Foi muita emoção para uma tarde só. Ter feito esse evento mexeu profundamente comigo e lavou minha alma. Me deixou melhor. Vale à pena dizer que todas as pessoas envolvidas trabalharam de graça: assessoria de imprensa, gráfica, produção, vídeo, músicos do grupo Conversa de Cordas, texto de Maria Eduarda Marques. Vendemos muitas rifas, tivemos sucesso e pudemos fazer uma ajuda significativa para a instituição.

Com a pastinha na mão vieram tantas lembranças … Relendo o bilhete que escrevi para o Ricardo percebi o quanto é importante para mim a comunicação ‘feita à mão’, mesmo diante de tanta tecnologia.  Ao visualizar o papel a gente potencializa as emoções e a mensagem que quer passar. Dou muito valor à essa forma de comunicação.  Sempre falo que sou um tanto analógica e gosto do que é escrito a lápis, até mais do que com caneta. O primeiro brinde que fiz para a Dona Coisa foi um bloco com folhas vermelhas acompanhado de um lápis. Defendo a escrita a lápis, textos escritos em português, então esse toque um tanto vintage veio junto com a elegância de alma de Ricardo Hachiya.

Comente pelo Facebook
Comente pelo blog
Voltar para o Topo