13.07.2017

liza S!

Quando tive a experiência de acompanhar as fotos para a Nº Dez, em São Paulo, fiquei encantada com a modelo Liza S, que escolhi por foto. Ela está fora do padrão massificado de beleza, tem 1,82 metros, 23 anos, veio de Feira de Santana, interior da Bahia, e ainda não viveu tanto para entender tudo o que está acontecendo à sua volta. Além de linda tem uma personalidade forte, um rosto marcante que passa uma energia maravilhosa!

Ela me emocionou. Uma moça tão jovem, com tanta elegância e um porte de rainha. Pensei: de onde esta menina tira tanta força? Está há um ano e meio em São Paulo e é referência de beleza não padronizada, tema que me interessa muito, porque acredito que a beleza não precisa ter um pré-conceito.

Enquanto a gente conversava senti vontade de contar aqui um pouco da sua história. E espero que a história de Liza seja um exemplo para nós, mulheres.

Como a moda entrou em sua vida?

Morava em Salvador e, em 2015, participei do concurso da Way Model, fiquei em segundo lugar. Aí entrei para o casting da agência e, no mês seguinte, comecei a morar em São Paulo. Cursava secretariado executivo, na Universidade Federal da Bahia. Mesmo que eu goste de uma coisa mais lúdica como a moda, se não desse certo poderia trabalhar em uma empresa.

Sempre sonhou em ser modelo?

Desde criança desenhava, mas queria mesmo ser estilista. A vontade de ser modelo veio aos 15 anos quando participei pela primeira vez de um concurso.

Como lida com o fato de ser uma modelo negra?

Por causa disso sempre pensei que não conseguiria entrar nesse mundo. Mas acho que a moda está num momento muito bom ao que diz respeito às diferenças.

Sofreu preconceito?

Como modelo, não. Mas no colégio, dos sete aos 17 anos, sim. Eu era mesmo fora do padrão, muito alta, magrinha… Com esta altura… “até eu gostar de mim demorou”.

O que não gostava em você?

Da altura, da magreza e dos ângulos do meu rosto. Achava tudo muito esquisito. Sentia muita pressão por parte das pessoas para que eu me encaixasse num padrão que não era o meu.

Queriam te massificar!

Isso! Queriam que eu fizesse coisas que são consideradas bonitas, como ter cabelo longo e liso, colocar mais peito… sempre resisti e não me arrependo.Sentia que em algum momento chegaria minha hora”. Sou intuitiva demais.

São Paulo te deu medo?

“Aquele medinho bom, e o impulso de seguir em frente”.

Como é sua vida de modelo até aqui?

Muito gratificante! Viajei para Nova York, lá conheci algumas agências, e Las Vegas, onde fiz uma campanha. Aqui fiz boas campanhas e editoriais.

O que faz nas horas vagas?

Gosto de conhecer cafés diferentes e andar pela cidade. Adoro ler e “um dia ainda terei uma biblioteca em casa”. ‘Senhor dos anéis’, de J. R. R. Tolkien é um livro que amo.

E o sonho de ser estilista?

Está guardado. Sinto que me encontrei como modelo, mas isso por enquanto…

Quando Liza fala coisas como “até eu gostar de mim demorou”, “sentia que em algum momento chegaria minha hora”, “aquele medinho bom, e o impulso de seguir em frente” dá vontade de criarmos um manual de como elevar a autoestima.

Acho o máximo esta mulher tão jovem ter escapado lindamente das regras massificantes com coragem e determinação. Meu trabalho na Dona Coisa tem este preceito como meta. Procuramos valorizar e dar um peso maior para aquilo que temos de bacana. E sempre temos!

Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
Liza S para Nº DEZ INVERNO 2017
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