22.03.2018

viver SOLTO

Muito bom poder falar de algo bacana em tempos atuais, momento tão conturbado. Há duas semanas conheci mais uma mulher admirável! Ela tem uma fazenda na serra fluminense, com uma casa à beira de um rio e se dedica a um projeto lindo, Viver Solto, que eu não sabia existir. Antes de conhecer sua história já fiquei encantada com sua energia contagiante.

Regina Tavares é dinâmica, cheia de vitalidade e muito bonita com seus cabelos brancos assumidos! Quando ficou viúva foi morar nessa fazenda onde antes só passava finais de semana e, ao lado do marido, tocava a criação de cavalos. Ela tem três filhas que chama de “minhas meninas” e hoje se dedica integralmente ao projeto Viver Solto que tanto me encantou.

A ideia nasceu há dois anos numa conversa com sua amiga Patricia Vilella, que perguntou o que ela fazia do antigo galinheiro. “Coloco os adubos da fazenda”, respondeu, e ouviu uma das mais estimulantes propostas de sua vida: transformar aquele espaço em um viveiro para soltura de pássaros. Ela também confessa que não sabia do que se tratava.

A burocracia para um projeto como este faz jus ao nome, parece ser bastante complicada. A pessoa deve se inscrever no Ibama, que faz uma vistoria na propriedade e começa a trazer pássaros para serem reabilitados antes de voarem livremente pela Mata Atlântica. Ela quis logo saber como poderia agilizar a ideia. Junto com Patricia lembrou da amiga, Loreta Figueira – que trabalhou durante muitos anos no Ibama, em São Paulo -, e que conhecia os caminhos burocráticos. Loreta abraçou a causa na hora.

Não foi nada fácil vencer esta barreira burocrática, mas as três parceiras foram em frente.  Não basta apenas dinheiro para fazer um viveiro de soltura, é preciso passar por várias etapas complexas. Demorou aproximadamente dois anos para que elas conseguissem ver seu projeto realizado.

Viver Solto funciona há um ano e em 2017 elas soltaram 1200 pássaros. Quando conseguiram a autorização receberam 400 pássaros de uma só vez. Elas bancam totalmente o projeto com o maior amor e prazer. E até preferem que seja assim porque para torná-lo oficial teriam que enfrentar mais burocracia e nenhuma delas está disposta.

Regina dividiu o galinheiro, que era grande, ao meio e colocou uma porta que une os dois lados. Quando chegam muitos pássaros, ela deixa a porta aberta. Eles são apreendidos em rinhas, concursos de canto ou no tráfico de pássaros, porque existem alguns bastante valiosos, e chegam com muitos ferimentos.

Fiquei curiosa para saber como se estabelece a comunicação entre os pássaros. Regina ri. “Eles brigam muito!!!  Depois que se entendem, que se dividem em alas aí começam a se respeitar. Tanto que a comida tem que ser separada para todos comerem bem e sem brigas…”

Eles ficam em torno de um mês no viveiro e quando estão capacitados para voar são soltos. Regina conta que alguns vão ficando lá e não querem mais ir embora. Muitos deles saem durante o dia e voltam para o viveiro à tarde, porque acham que ali é a casa deles, como uma sabiá que está sempre com ela.

Eu que vivo na cidade acabo achando que existem pessoas que cuidam de cachorros e gatos, porque esses animais domésticos estão mais próximos da nossa realidade. Interessante saber que quem se interessa por natureza e tem tempo, disponibilidade e amor pode escolher junto ao Ibama alguns projetos que possam trazer alegria e contribuir bastante com a nossa natureza.

Como dizia no começo do post é muito gostoso e reconfortante saber que isso também existe. A gente, ultimamente, só ouve notícias ruins como se nós, humanos, não tivéssemos mais a capacidade de desenvolver, de alguma forma, beleza, saúde e bem querer.  Me deu muita vontade de contar essa história e incentivar outras pessoas a reinventarem suas vidas.

15.03.2018

andré LASMAR

Ele é um amigo, um irmão! Irreverente, implicante e amado!

Acho fácil e difícil falar do André. A gente se conhece há 13 anos, eu estava abrindo a Dona Coisa. A loja era bem pequena e desde o início garimpava produtos brasileiros que considerava serem muito bons e bem diferentes do padrão estabelecido. Sempre desejei que a loja fosse surpreendente, que provocasse diferentes emoções. Na época, fiz parcerias com estilistas paulistas como Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço, a saudosa Clô Orozco e outros mais, pessoas com trabalho autoral, moderno. O André chegou nesse momento, com uma joalheria ousada e me encantei pelas joias completamente autorais. Elas têm força e sutileza ao mesmo tempo, e viram objeto de desejo de quem está em sintonia com o que é belo, mas nada convencional.

O que ele faz é o reflexo direto de sua personalidade irreverente. Não faz nenhuma concessão. Acompanho seu trabalho de perto desde quando nos conhecemos e me encanto com cada peça nova. Tenho muito prazer em ter suas joias na Dona Coisa e admiro as formas irregulares, inesperadas, diferentes e tão elegantes de cada uma delas!

Não existem tendências para o André, tanto que ele chama as joias de arqueologia urbana, e mistura com maestria ouro, prata, pedras preciosas com papel, concreto, plástico, porcelana, couro, barbante… Também usa madeira com prata. Ele conta que pegou na caçamba de uma reforma de um prédio antigo, um tronco de pinho de riga e juntou com pinho de riga que tinha comprado numa fábrica de botões, que não tinham sido transformados em botões.  Viraram joias lindas! Você pega e sente que foram feitas à mão. Costuma afirmar: “Não gosto de nada asséptico e, diferentemente, adoro deixar visível as marcas do humano, da personalidade.  Não gosto de DESpistar que, por ali, passou o humano”.  Há um conceito filosófico em tudo o que faz.  Amo ver o André trabalhando com os foguinhos em sua oficina… Difícil resistir à beleza incomum de tudo o que cria.

Tenho algumas coisas dele, inclusive a minha aliança de casamento com o Paco. As alianças, por sinal, são cultuadas. Ele brinca: “Adoro fazer casamentos”! Seu processo de criação é o quotidiano, “o todo dia, as pessoas, suas histórias, os objetos de uso do dia a dia, os perdidos pelas cidades, pelas ruas, as conversas, as artes plásticas, os materiais que não conheço, o procurar, investigar e perguntar…” Acho bacana também o trabalho que ele faz sob encomenda. Sabe dar uma cara nova a uma joia antiga. Ele modernizou algumas peças minhas que ficaram lindas!

Quando o conheci melhor me encantei ainda mais pela pessoa que é. Fomos convivendo e continuamos até hoje, um encantado com o outro, penso eu. Ele não é nada ‘fofo’, e eu que sempre me considerei uma florzinha de laranjeira ouvi dele: “Tudo o que você não é na vida é florzinha de laranjeira, aliás, nem eu e nem você”. E a gente brinca muito com isso. Amo sua inteligência e seu humor ácido, rápido, brilhante. E sei o quanto é amigo no seu ‘sincericídio’.

O André é uma das pessoas que enriqueceu muito meu olhar, não só na joalheria, que é o seu métier, mas nas nossas trocas existenciais. É um esteta, um homem de extremo bom gosto e com elegância de alma. Para mim, é uma referência porque, como poucos, tem a sensibilidade do que é bom sem seguir nenhum padrão. A gente gosta de trocar nossos olhares sobre as coisas e sobre a vida.

André Lasmar
André Lasmar
Com André Lasmar e Chico Accioli
Com André Lasmar e Chico Accioli
Anel de prata e cobre, trabalho dos anos 90
Anel de prata e cobre, trabalho dos anos 90
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de ouro com turmalina rosa, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de ouro com turmalina rosa, da série JÓIAS NO ASFALTO
Bracelete de prata com ferro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Bracelete de prata com ferro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de prata com magnetita
Anel de prata com magnetita
Colar de prata com madeira pinho de riga
Colar de prata com madeira pinho de riga
Trabalho da série “Arqueologia Urbana”
Trabalho da série “Arqueologia Urbana”
André Lasmar
Com André Lasmar e Chico Accioli
Anel de prata e cobre, trabalho dos anos 90
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de ouro com turmalina rosa, da série JÓIAS NO ASFALTO
Bracelete de prata com ferro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de prata com magnetita
Colar de prata com madeira pinho de riga
Trabalho da série “Arqueologia Urbana”

08.03.2018

adoro ser MULHER!

Sou mulher, adoro ser mulher, e se fosse o caso de escolher como voltar em outra encarnação gostaria de voltar e voltar e voltar sempre como mulher. Adoro ser mãe do meu filho, mulher de meu marido, empresária independente e, às vezes, meio gueixa.

Penso que nós, mulheres, gostamos de ser atraentes para nossos homens. Eu, pessoalmente, gosto. Podemos tirar partido de maneira sedutora das diferenças que existem entre homens e mulheres. Afinal, a mulher é um ser misterioso e com um pouco de imaginação, humor e ternura, ela supera os mais complexos desafios.

Quando a gente consegue escolher um estilo de vida, de acordo com nossa personalidade, e luta por ele da melhor forma possível, vai conquistando o próprio espaço. E isso faz muito bem! Sempre trabalhei muito e gosto de trabalhar. É meu oxigênio!

Me sinto uma mulher privilegiada com minhas escolhas profissionais e afetivas. Há alguns anos atrás não poderia imaginar o prazer que a Dona Coisa me daria. O desejo de ter uma casa de coisas se transformou num projeto de vida, onde coloco minhas escolhas preciosas.

Hoje, Dia Internacional da Mulher, para mim é mais um dia que vou ao encontro do universo feminino. Na Dona Coisa tenho um trabalho que me faz conviver com mulheres o tempo todo, e como sou atraída pela vida sempre busco o prazer em cada momento.  Ao entrar em contato com mulheres de personalidades tão diferentes me sinto enriquecida pelo fato de cada uma me trazer uma experiência múltipla. Tenho amigas, mulheres fortes que admiro com quem amo conviver e dividir experiências importantes.

A história comprova a força interior feminina e suas conquistas, que se renovam a cada época, das personalidades mais transgressoras às mais divertidas. E como diz a minha querida amiga filósofa, Marcia Cabral, “Mulheres não têm natureza, são puro devir. Mulheres se fazem no tempo e no espaço, na história. Ganham nomes, mas, sobretudo, são singularidades. Reais ou míticas, são imagens do nosso museu mental”.

Volta e meia me lembro dessas…

01.03.2018

beth FRANCO

Hoje, nosso café, DC Lá Em Cima, recebe a primeiríssima exposição da arquiteta e artista plástica Beth Franco. Em ‘Fragmentos: vida e natureza’, ela mostra 40 obras, divididas por temas, onde faz uma apropriação de pequenos pedaços da natureza e une madeiras, pedras, papeis e muitas coisas que guardou a vida inteira. As telas colocadas em caixas de acrílico, nos mais diferentes tamanhos, revelam a beleza que ela capta nos detalhes mais sutis de sua parceria com a natureza.

Conheço a Beth há algum tempo e o que me chama a atenção nela é sua energia tão forte. Quando ela te abraça é aquele abraço forte, tipo bem forte, e quando disse que tinha um trabalho para me mostrar, vindo dela, já esperava algo interessante. Quando me mandou algumas fotos achei tudo bem bonito, e quando vi pessoalmente cada peça me surpreendi! Você sente de cara o bom gosto e, em cada uma existe uma conversa interna, uma coerência, uma estética. Fora isso, o acabamento é um primor! Falei: Adoraria lançar no nosso café, porque é um espaço onde adoro expor coisas novas.

Acho luxuoso lançar um trabalho tão verdadeiro. Afinal de contas é um pouco de tudo o que ela guardou, e agora resolveu abrir as caixas com fragmentos de sua história. Resolvemos montar uma exposição, onde além da beleza de sua obra podemos sentir um tanto de sua energia.

Conheci suas duas filhas arquitetas por outros caminhos e foram elas que fizeram a reforma do café. Nada mais apropriado, portanto, do que Beth apresentar a sua primeira exposição no espaço feito por suas filhas, Roberta e Eduarda Abud. Ainda por cima há um valor afetivo importante.

Fico muito feliz da Beth achar a Dona Coisa um bom lugar para mostrar seu trabalho, pois o considero digno de uma galeria de arte. Gosto quando ela diz: “Vejo tanta beleza no que está decretado morto na natureza”. Não só vê como coloca para nós esse seu olhar. E ainda acrescenta: “Espero que minha seleção transmita o conceito que escolhi para homenagear a vida que está aí, simples na essência, nos detalhes que a natureza displicentemente espalha, embora nós, seres humanos, estejamos com tanta dificuldade de perceber”.

Cada vez mais aprecio o luxo de tirarmos partido do que é mais simples em nossas vidas. Neste caso, Beth consegue nos oferecer beleza do que é gratuito na natureza.

A exposição vai ficar o mês de março no DC Lá Em Cima. Convido vocês a virem apreciar a beleza e a energia que existe no que ela cria.

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