26.04.2018

aprazível

Falar do restaurante Aprazível para carioca pode parecer mesmice porque, nós, cariocas, conhecemos o Aprazível, apreciamos o Aprazível. Mas como tenho ido muito lá e considero a Ana Castilho uma amiga querida acabo ouvindo histórias muito gostosas, que aconteceram ao longo dos 21 anos que ela tem esse lugar encantador, no alto de Santa Teresa. São histórias de quem é apaixonada pelo seu negócio, assim como sou apaixonada pela Dona Coisa.

Ana comprou a casa, onde hoje é o restaurante, quando estava em Nova York, sem nunca ter visto, e assim que conheceu o lugar imaginou fazer nele um bosque. E ela fez este bosque em torno da casa-sede, que parece de fazenda. “Olha, que louca?”, diz com leve sotaque mineiro e ri de si mesma. Ela morou nesta casa quando os dois filhos, Pedro e João Hermeto, eram adolescentes. O terreno é grande, mas cheio de cantinhos intimistas. É um estar diferente, cheio de charme.

No começo, o Aprazível era só o endereço da chef mineira, mas os amigos eram tantos, fora os amigos dos amigos, e todos queriam tanto provar sua comida, que ela alugou mesas e cadeiras em um antiquário e colocou os filhos como garçons. De repente, tinha um restaurante. No primeiro jantar, 1997, pôs toalhas de linho de seu enxoval e talheres de prata.  A elegância mineira falou mais alto, mas logo ouviu de um amigo que não poderia continuar com esse preciosismo. Na cozinha não abriu mão de suas receitas primorosas que cozinhava no seu fogão de quatro bocas. Desde o começo, ela usa produtos nacionais da melhor qualidade, num cardápio cheio de sotaques e sabores inusitados.

Antes de ter o próprio restaurante, Ana trabalhou com José Hugo Celidônio, durante quatro anos, no famoso Gourmet, que ficava em Botafogo. Era chef da confeitaria e implantou sobremesas como gateau de chocolate e creme brûllé.  Foi uma revolução porque há 25 anos ninguém encontrava esses doces no Rio. Nada mal para quem fez curso de culinária em Nova York numa escola francesa. A palavra gastronomia ainda não tinha chegado por aqui.

Adoro chegar lá e pedir o palmito com molho de pesto, é maravilhoso e light, ainda por cima. Para quem não se incomoda de engordar um pouquinho, o pão de queijo com linguiça, bem mineiro, da terra da Ana, é bom demais, receita da sua avó.

As caipiroscas são um item à parte de tão sofisticadas. Tem até a versão de limão com café, além das que levam frutas da Amazônia como taperebá, cupuaçu e jambu.  Eu prefiro com vodca, tangerina com caju, mas quem aprecia cachaça é uma experiência que está associada à vida da Ana. Seu pai tinha um alambique, nos arredores de Belo Horizonte. Quando ele faleceu, ela herdou a fábrica. Hoje, a cachaça Santa Cana é uma edição limitadíssima que foi achada soterrada após mais de 30 anos em antigos barris de carvalho. Elas geraram 180 garrafas apenas, todas numeradas e que ela guarda como relíquia. “Não tem preço, é o preço do coração”, diz emocionada.

Para quem gosta de polvo, o de lá é irresistível e eu sempre peço, fora moquecas, cordeiro, pato, todos de dar água na boca. Mas Ana está completamente entusiasmada com suas “invenções” que vêm das plantas alimentícias não convencionais. Guacamole de açaí e Vieiras ao tucupi, são as especialidades que considera mais luxuosas.

É um programão ir ao Aprazível, com um grupo de amigos ou num jantar super-romântico com aquele visual panorâmico do Rio de Janeiro. Apesar do elevador, absolutamente necessário, faço questão de subir e descer a longa escada.

É sempre luxuoso estar num lugar tão lindo e, ao mesmo tempo, extremamente simples, despretensioso. Não conheço outro semelhante e muito menos igual! Sinto como se ela fizesse seu trabalho escrito à mão.

palmito com molho de pesto
palmito com molho de pesto
pão de queijo com linguiça
pão de queijo com linguiça
caipirosca de tangerina com caju
caipirosca de tangerina com caju
cachaça Santa Cana
cachaça Santa Cana
palmito com molho de pesto
pão de queijo com linguiça
caipirosca de tangerina com caju
cachaça Santa Cana

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  1. Vera Balteiro
    em 26 de abril de 2018 - 19h36

    Prazeres da vida para serem compartilhados…
    Ainda mais com aval de Roberta!!!

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