15.03.2018

andré LASMAR

Ele é um amigo, um irmão! Irreverente, implicante e amado!

Acho fácil e difícil falar do André. A gente se conhece há 13 anos, eu estava abrindo a Dona Coisa. A loja era bem pequena e desde o início garimpava produtos brasileiros que considerava serem muito bons e bem diferentes do padrão estabelecido. Sempre desejei que a loja fosse surpreendente, que provocasse diferentes emoções. Na época, fiz parcerias com estilistas paulistas como Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço, a saudosa Clô Orozco e outros mais, pessoas com trabalho autoral, moderno. O André chegou nesse momento, com uma joalheria ousada e me encantei pelas joias completamente autorais. Elas têm força e sutileza ao mesmo tempo, e viram objeto de desejo de quem está em sintonia com o que é belo, mas nada convencional.

O que ele faz é o reflexo direto de sua personalidade irreverente. Não faz nenhuma concessão. Acompanho seu trabalho de perto desde quando nos conhecemos e me encanto com cada peça nova. Tenho muito prazer em ter suas joias na Dona Coisa e admiro as formas irregulares, inesperadas, diferentes e tão elegantes de cada uma delas!

Não existem tendências para o André, tanto que ele chama as joias de arqueologia urbana, e mistura com maestria ouro, prata, pedras preciosas com papel, concreto, plástico, porcelana, couro, barbante… Também usa madeira com prata. Ele conta que pegou na caçamba de uma reforma de um prédio antigo, um tronco de pinho de riga e juntou com pinho de riga que tinha comprado numa fábrica de botões, que não tinham sido transformados em botões.  Viraram joias lindas! Você pega e sente que foram feitas à mão. Costuma afirmar: “Não gosto de nada asséptico e, diferentemente, adoro deixar visível as marcas do humano, da personalidade.  Não gosto de DESpistar que, por ali, passou o humano”.  Há um conceito filosófico em tudo o que faz.  Amo ver o André trabalhando com os foguinhos em sua oficina… Difícil resistir à beleza incomum de tudo o que cria.

Tenho algumas coisas dele, inclusive a minha aliança de casamento com o Paco. As alianças, por sinal, são cultuadas. Ele brinca: “Adoro fazer casamentos”! Seu processo de criação é o quotidiano, “o todo dia, as pessoas, suas histórias, os objetos de uso do dia a dia, os perdidos pelas cidades, pelas ruas, as conversas, as artes plásticas, os materiais que não conheço, o procurar, investigar e perguntar…” Acho bacana também o trabalho que ele faz sob encomenda. Sabe dar uma cara nova a uma joia antiga. Ele modernizou algumas peças minhas que ficaram lindas!

Quando o conheci melhor me encantei ainda mais pela pessoa que é. Fomos convivendo e continuamos até hoje, um encantado com o outro, penso eu. Ele não é nada ‘fofo’, e eu que sempre me considerei uma florzinha de laranjeira ouvi dele: “Tudo o que você não é na vida é florzinha de laranjeira, aliás, nem eu e nem você”. E a gente brinca muito com isso. Amo sua inteligência e seu humor ácido, rápido, brilhante. E sei o quanto é amigo no seu ‘sincericídio’.

O André é uma das pessoas que enriqueceu muito meu olhar, não só na joalheria, que é o seu métier, mas nas nossas trocas existenciais. É um esteta, um homem de extremo bom gosto e com elegância de alma. Para mim, é uma referência porque, como poucos, tem a sensibilidade do que é bom sem seguir nenhum padrão. A gente gosta de trocar nossos olhares sobre as coisas e sobre a vida.

André Lasmar
André Lasmar
Com André Lasmar e Chico Accioli
Com André Lasmar e Chico Accioli
Anel de prata e cobre, trabalho dos anos 90
Anel de prata e cobre, trabalho dos anos 90
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de ouro com turmalina rosa, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de ouro com turmalina rosa, da série JÓIAS NO ASFALTO
Bracelete de prata com ferro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Bracelete de prata com ferro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de prata com magnetita
Anel de prata com magnetita
Colar de prata com madeira pinho de riga
Colar de prata com madeira pinho de riga
Trabalho da série “Arqueologia Urbana”
Trabalho da série “Arqueologia Urbana”
André Lasmar
Com André Lasmar e Chico Accioli
Anel de prata e cobre, trabalho dos anos 90
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Alianças de ouro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de ouro com turmalina rosa, da série JÓIAS NO ASFALTO
Bracelete de prata com ferro, da série JÓIAS NO ASFALTO
Anel de prata com magnetita
Colar de prata com madeira pinho de riga
Trabalho da série “Arqueologia Urbana”

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  1. em 15 de março de 2018 - 17h58

    Excelente descrição por hoje. Porque amanhã o André nos surpreenderá com mais!

  2. Carla Turton
    em 15 de março de 2018 - 22h44

    Adorei!!! Trabalho muito especial! Sua cara!

  3. Vera Balteiro
    em 15 de março de 2018 - 22h47

    Roberta, não tenho nenhuma peça do artista, mas depois que vi sua aliança de casamento a peça passa a ser um ícone,de tão linda ficou em voce.
    Que ela traga muitas felicidades para o casal.
    Beijo.

  4. Elizabeth
    em 16 de março de 2018 - 07h59

    Lindo esse encontro de vcs como humanos conectados que são com os detalhes da vida e da alma. Parabéns ao André pela obra. Amei!

  5. Magda
    em 18 de março de 2018 - 13h46

    As “florzinhas de laranjeira “ normalmente sucumbem…
    E viva nós, feitas de material que não enverga…
    Beijos

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